Sobre envelhe(ser)…

É gente, o tempo passa para todos e será que ficar velho se tornou sinônimo de apre(en)der a lidar com a própria companhia?

Falar de velhice é um tema delicado, sobretudo porque além de vivermos em uma sociedade etarista, se tornar mais velho na atualidade é também um certo tipo de “sinthoma” que expõe também o limite do tempo. Tempo, um recurso tão escasso atualmente.

O corpo fragilizado pelo tempo, a morte muitas vezes exposta, o silêncio, o estranho do qual ninguém escapa. Velho é sempre o Outro, no qual não nos reconhecemos. Mudam-se as relações, as imagens, os tipos de perdas. Não há mais ideais e certezas nas quais todos buscam se alojar.

O famoso: Ah, se eu tivesse mais tempo.

Considero que cada ser envelhece ao seu próprio modo. Alguns irão se defender da velhice (negando-a), outros irão se apropriar de seu próprio tempo e ainda há àqueles que através de uma coragem Inominável (que talvez seja o real do tempo proporcionando) sofrem uma pressão pulsional em direção aos próprios desejos.

E você, está se tornando o que sempre quis ser ou irá aguardar até dizer: Agora, é tarde demais?